A tarde chovia, e o café quente sobre a mesa do escritório
manchava a colher de aço. Dá janela dava pra perceber humanos com sua infância
correrem naquele dia frio, transformando aquela chuva intensa que todos os
adultos desta pequena cidade fugiam, em brincadeira. Fugimos de tudo que é
natural, de tudo que botamos o nome ‘’problema’’, para eles não é bem assim, é
algo que não podemos ver, mas sentir. Estava frio, e no andar de cima
escutava-se e Regina Specktor, fechei os olhos e comecei a ouvir o eco da música
que transportava sua energia, a cada quarteirão, a cada andar, quando abri os
olhos olhei para o bloco de notas e logo um jornal com palavras cruzadas, pra
passar o tempo comecei a desvendar, talvez aquelas palavras ali no momento não
faça o menor sentido, como nos dias anteriores, ou no dia seguinte, nada faz
sentidos em alguns momentos, mas outros aparecem turbilhões de sentimentos por
uma palavra, aquilo que te faz lembrar aquela manhã que aconteceu um desastre,
ou aquela tarde que choveu e você não teve como se proteger da chuva, mas não
sou tão adulta, na verdade nunca fui, espero o dia em que vou crescer como uma
garotinha que quer usar tamancos, enquanto espero, vou ser um pouco criança com
mil desejos. “Fidelity” parou de tocar, o jornal estava largado em cima de uma
pilha de livros e o café esfriou as crianças não estavam mais lá, e metade da
tarde tinha se passado.

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