segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Um inverno na minha tarde.

 


A tarde chovia, e o café quente sobre a mesa do escritório manchava a colher de aço. Dá janela dava pra perceber humanos com sua infância correrem naquele dia frio, transformando aquela chuva intensa que todos os adultos desta pequena cidade fugiam, em brincadeira. Fugimos de tudo que é natural, de tudo que botamos o nome ‘’problema’’, para eles não é bem assim, é algo que não podemos ver, mas sentir. Estava frio, e no andar de cima escutava-se e Regina Specktor, fechei os olhos e comecei a ouvir o eco da música que transportava sua energia, a cada quarteirão, a cada andar, quando abri os olhos olhei para o bloco de notas e logo um jornal com palavras cruzadas, pra passar o tempo comecei a desvendar, talvez aquelas palavras ali no momento não faça o menor sentido, como nos dias anteriores, ou no dia seguinte, nada faz sentidos em alguns momentos, mas outros aparecem turbilhões de sentimentos por uma palavra, aquilo que te faz lembrar aquela manhã que aconteceu um desastre, ou aquela tarde que choveu e você não teve como se proteger da chuva, mas não sou tão adulta, na verdade nunca fui, espero o dia em que vou crescer como uma garotinha que quer usar tamancos, enquanto espero, vou ser um pouco criança com mil desejos. “Fidelity” parou de tocar, o jornal estava largado em cima de uma pilha de livros e o café esfriou as crianças não estavam mais lá, e metade da tarde tinha se passado. 

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